2003/11/28
No sábado passado fui ao Museu da Imprensa no Freixo, o canto sudeste do Porto.
Por si só, o EXCELENTE Certame de Cartoons ( na sua 5ª edição) justificava a visita. A exposição permanente, com uma colecção de máquinas que ilustra o desenvolvimento deste sector durante o Sec. XX, só peca pela ausência de guia... permanente.
O recepcionista tenta desdobrar-se ( deliciando-nos com o seu saber) mas está condicionado à entrada de visitantes. Fico a dever a ele mais uma explicação que, de tão óbvia ( ou pelo menos linear), se reveste de um brilhantismo próprio: a origem da palavra "cliché", hoje em dia banalizada.
Sabiam que clichés são os "negativos" que permitem passar para papel a mesma página de notícias, sempre iguais, uma a seguir à outra (impressão) ?....
Por si só, o EXCELENTE Certame de Cartoons ( na sua 5ª edição) justificava a visita. A exposição permanente, com uma colecção de máquinas que ilustra o desenvolvimento deste sector durante o Sec. XX, só peca pela ausência de guia... permanente.
O recepcionista tenta desdobrar-se ( deliciando-nos com o seu saber) mas está condicionado à entrada de visitantes. Fico a dever a ele mais uma explicação que, de tão óbvia ( ou pelo menos linear), se reveste de um brilhantismo próprio: a origem da palavra "cliché", hoje em dia banalizada.
Sabiam que clichés são os "negativos" que permitem passar para papel a mesma página de notícias, sempre iguais, uma a seguir à outra (impressão) ?....
2003/11/27
Real Marketing
No meu trabalho tenho que comunicar com gente de todo o mundo, especialmente do Extremo Oriente.
Já me tinha apercebido que, no contacto com os ocidentais, os asiáticos adoptam um nome ocidental fonéticamente similar ao seu nome real.
Por razões que não vem ao caso deixei de falar com uma pessoa que conhecia como Frank Song. Hoje recebi um e-mail dele que começava assim :"I have a new English name - Figo Sung , and I hope I can also have a new career like Luis Figo!"
O primeiro pensamento foi de orgulho nacional, por um português ser reconhecido na distante China. O segundo foi: as coisas que o Real Marketing faz!
De aí a pensar nas consequências se o dia 1 de Dezembro de 1640 tivesse sido diferente do que na segunda-feira celebramos foi um passo...
No meu trabalho tenho que comunicar com gente de todo o mundo, especialmente do Extremo Oriente.
Já me tinha apercebido que, no contacto com os ocidentais, os asiáticos adoptam um nome ocidental fonéticamente similar ao seu nome real.
Por razões que não vem ao caso deixei de falar com uma pessoa que conhecia como Frank Song. Hoje recebi um e-mail dele que começava assim :"I have a new English name - Figo Sung , and I hope I can also have a new career like Luis Figo!"
O primeiro pensamento foi de orgulho nacional, por um português ser reconhecido na distante China. O segundo foi: as coisas que o Real Marketing faz!
De aí a pensar nas consequências se o dia 1 de Dezembro de 1640 tivesse sido diferente do que na segunda-feira celebramos foi um passo...
Desde que coloquei o ultimo post, apercebi-me quão idiota para um lisboeta ( leia-se: morador na Grande Lisboa, nascido ou migrado) é o que escrevi.
Só um dado a considerar: no Porto ( mais ainda em "mundos" mais pequenos) é virtualmente impossível que 2 pessoas que frenquentam o meio cultural/social nunca se terem cruzado uma vez que seja. Em Lisboa, não. Acho...
Só um dado a considerar: no Porto ( mais ainda em "mundos" mais pequenos) é virtualmente impossível que 2 pessoas que frenquentam o meio cultural/social nunca se terem cruzado uma vez que seja. Em Lisboa, não. Acho...
2003/11/18
Tenho andado um pouco intranquilo com anonimato dos blogs. Fico ancioso de pensar que enquanto passo na rua ou atendo um cliente ao telefone posso estar em contacto com um bloguista, sobretudo desde que soube que pessoas que leio frequentemente, entre as quais o excelente Alberto, podiam viver na cidade onde trabalho ( e passo a maior parte do tempo) ou onde vivo ( mas pouco mais faço do que dormir).
[ enquanto escrevia este post, imaginava extra-terrestres disfarçados de humanos a cumprimentarem-se «à la Spok» ]
[ enquanto escrevia este post, imaginava extra-terrestres disfarçados de humanos a cumprimentarem-se «à la Spok» ]
Só para dizer que estarei ausente deste blog. Encontrar-me-ão aqui, onde se discute a alteração ao PDM da cidade do Porto.
Eventualmente, transcreverei para aqui as intervenções que venha a fazer.
Eventualmente, transcreverei para aqui as intervenções que venha a fazer.
2003/11/17
Pois é, confirmei este domingo que não há bancada VIP no novo Estádio do Dragom!
Vi, no entanto, uns senhores de fato e gravata entrarem para uma porta que dizia "I.C.C.". Perguntei o que era: Importantes Cum'ó Carago.....
Carago, não, carago !...
Vi, no entanto, uns senhores de fato e gravata entrarem para uma porta que dizia "I.C.C.". Perguntei o que era: Importantes Cum'ó Carago.....
Carago, não, carago !...
2003/11/16
Eu reconheço esta minha fraqueza . Por isso, aderi ao BLOGA!?, o movimento dos Blogólicos Anónimos.
Palavras de consolo serão bemvindas na minha pasta de comentários. Quem, como eu perceber que não adianta mais fugir para a frente, adira também!...
Palavras de consolo serão bemvindas na minha pasta de comentários. Quem, como eu perceber que não adianta mais fugir para a frente, adira também!...
2003/11/14
Tenho que admitir que tenho alguma dificuldade em misturar "mundos".
Para mim uma pessoa conhecida( ou grupo de pessoas), cabe num determinado "mundo", um espaço especifico "formatado" na minha cabeça como "o mundo do fulano X", "o mundo da menina Z", " mundo do grupo N", mesmo que esse espaço seja o mesmo de outra pessoa ou grupo ( e geralmente é, o grande Porto!).
A confusão instala-se na minha cabeça quando "T" aparece no "mundo de Q" !
É como se aparecesse um dragon ball num filme do Rato Mickey... Pode? Claro que não!
Quando era mais jovem e fazia uns "biscates" durante as férias do Natal, o primeiro dia do segundo período era uma ganda confusão.
Nos meus imberbes 19 anos, tive a infelicidade de juntar na minha festa de anos a turma do secundário com a turma da Faculdade. Nunca mais!
O facto é que já tenho idadinha para saber lidar com encontros fortuitos. Tratar como um desconhecido um dos meus melhores amigos, só porque não estava a contar vê-lo, preocupou-me!...Alguém me ajuda?
Para mim uma pessoa conhecida( ou grupo de pessoas), cabe num determinado "mundo", um espaço especifico "formatado" na minha cabeça como "o mundo do fulano X", "o mundo da menina Z", " mundo do grupo N", mesmo que esse espaço seja o mesmo de outra pessoa ou grupo ( e geralmente é, o grande Porto!).
A confusão instala-se na minha cabeça quando "T" aparece no "mundo de Q" !
É como se aparecesse um dragon ball num filme do Rato Mickey... Pode? Claro que não!
Quando era mais jovem e fazia uns "biscates" durante as férias do Natal, o primeiro dia do segundo período era uma ganda confusão.
Nos meus imberbes 19 anos, tive a infelicidade de juntar na minha festa de anos a turma do secundário com a turma da Faculdade. Nunca mais!
O facto é que já tenho idadinha para saber lidar com encontros fortuitos. Tratar como um desconhecido um dos meus melhores amigos, só porque não estava a contar vê-lo, preocupou-me!...Alguém me ajuda?
2003/11/12
no outro dia estava a passear no shopping ( leia-se: a sair do cinema em direccao à entrada do shopping) com um casal amigo e a minha amiga aproximou-se, qual íman, de uma loja de mobiliário infantil ( leia-se: especializado em quartos de crianças). O meu primeiro pensamento foi: "o.k., casaram há pouco, estão a "negociar" a prole..."
Mas tive um segundo insight : ela pareceu gostar mesmo "daquilo" ( "aquilo" era uma cama de 1,50 de comprimento em rosa e com docél ). De facto, "aquilo" cabia na perfeição nos arquétipos que aprendemos na NOSSA infância. Sim, porque, lá porque já se tem um filho, não se deixa de ter sido criança. Daí até ao seguinte pensamento foi um passo:
porque raio não pode um casal dar azo ao seu imaginário, colocando tal cenário no seu próprio quarto, que até costuma ser a divisória mais privada da casa (leia-se : menos propensa a olhares indiscretos de eventuais visitas)?
Será que é só pelo filho que as mães passam imenso tempo no quarto dele ou também porque este tem (Oh! Inveja !...) o quarto mais bonito?...
Mas tive um segundo insight : ela pareceu gostar mesmo "daquilo" ( "aquilo" era uma cama de 1,50 de comprimento em rosa e com docél ). De facto, "aquilo" cabia na perfeição nos arquétipos que aprendemos na NOSSA infância. Sim, porque, lá porque já se tem um filho, não se deixa de ter sido criança. Daí até ao seguinte pensamento foi um passo:
porque raio não pode um casal dar azo ao seu imaginário, colocando tal cenário no seu próprio quarto, que até costuma ser a divisória mais privada da casa (leia-se : menos propensa a olhares indiscretos de eventuais visitas)?
Será que é só pelo filho que as mães passam imenso tempo no quarto dele ou também porque este tem (Oh! Inveja !...) o quarto mais bonito?...
Não é um fenómeno novo mas hoje fiquei a pensar: há uns anos fomos inundados por dependências bancárias, hoje em dia lojas de telecomunicações ( leia-se: venda de telemóveis e bugigangas anexas) abrem como cogumelos!
Se abrem é porque a concorrência ainda não está saturada. Mas mais do que isso é porque dá MUITO DINHEIRO, ou, pelo menos, dinheiro a MUITA GENTE!
Virei-me para o meu telélé e disse: "donde vem esse dinheiro todo?" E voltei a pô-lo no bolso......
Se abrem é porque a concorrência ainda não está saturada. Mas mais do que isso é porque dá MUITO DINHEIRO, ou, pelo menos, dinheiro a MUITA GENTE!
Virei-me para o meu telélé e disse: "donde vem esse dinheiro todo?" E voltei a pô-lo no bolso......
2003/11/08
Não percebo o que se passa com a malta do PSD! Não via tanta audácia desde o início do Cavaquismo!
O Rui Rio mete-se com o "Papa" ( Bravo! O "Mundo da Bola" e o "Mundo da Política" devem ser, quanto muito, tangentes. Um ùnico reparo que faço: é incontestável que fora-de-portas os clubes são representes do país e da localidade de onde são provenientes. Era ele, e não aquela «cambada política», que poderia ter estado em Sevilha. )
A Manuela Ferreira Leite mete-se com os contribuintes ( Bravo! A percepção do real significado de termo Investimento Público, pela eliminação de Esbanjamento Público; a fuga ás políticas «epidurais»... )
Agora ( para ser correcto, no jornal de domingo passado da SIC) o "nosso" Abrupto vem defender a supressão de alguns feriados !... Pois é: Bravo!
A minha ideia sobre o assunto é, no entanto, um pouco diferente. Sejamos francos: quem é que liga aos feriados? O.K. não me expressei bem: quem é que liga às efemérides que os feriados celebram? Já para não falar, saber sequer o que se celebra.
Dos feriados religiosos praticamente só escapa o Natal. (pudera, há recompensa à vista!!!). Dos feriados civis, liga-se à passagem de ano. Com sorte, tem-se uma ideia do que foi o 25 de Abril. E está provado que não é por estas datas estarem "marcadas" com um feriado que as pessoas se interessam mais por saber o que ocorreu e em que ano.
Agora, não sou "doido" para dizer que devíamos trabalhar mais. Bem, às tantas até devíamos (se é que queremos chegar a média comunitária) mas não vou discutir isso aqui. Vou é propor uma forma de aumentar a produtividade dos dias que já trabalhamos. Como? Simples: suprimindo as pontes e as tolerâncias de ponto.
O que proponho é que, por um lado, se acabe com os feriados (e aí sou mais radical do que o JPP, só ficariam os supracitados.). Mas por outro se aumente o tempo de férias de 22 para 30 dias úteis, podendo - quem o entenda - celebrar os eventos que lhe dizem mais, usando alguns desses 8 dias extra . No fundo o número de dias úteis mantem-se inalterado. As pontes é que deixam de existir porque simplesmente uma das "margens" desapareceu. Quem fizer uma "margem artificial" ( leia-se : feriado) e quiser fazer essa ponte, gasta um dia de férias.
O Rui Rio mete-se com o "Papa" ( Bravo! O "Mundo da Bola" e o "Mundo da Política" devem ser, quanto muito, tangentes. Um ùnico reparo que faço: é incontestável que fora-de-portas os clubes são representes do país e da localidade de onde são provenientes. Era ele, e não aquela «cambada política», que poderia ter estado em Sevilha. )
A Manuela Ferreira Leite mete-se com os contribuintes ( Bravo! A percepção do real significado de termo Investimento Público, pela eliminação de Esbanjamento Público; a fuga ás políticas «epidurais»... )
Agora ( para ser correcto, no jornal de domingo passado da SIC) o "nosso" Abrupto vem defender a supressão de alguns feriados !... Pois é: Bravo!
A minha ideia sobre o assunto é, no entanto, um pouco diferente. Sejamos francos: quem é que liga aos feriados? O.K. não me expressei bem: quem é que liga às efemérides que os feriados celebram? Já para não falar, saber sequer o que se celebra.
Dos feriados religiosos praticamente só escapa o Natal. (pudera, há recompensa à vista!!!). Dos feriados civis, liga-se à passagem de ano. Com sorte, tem-se uma ideia do que foi o 25 de Abril. E está provado que não é por estas datas estarem "marcadas" com um feriado que as pessoas se interessam mais por saber o que ocorreu e em que ano.
Agora, não sou "doido" para dizer que devíamos trabalhar mais. Bem, às tantas até devíamos (se é que queremos chegar a média comunitária) mas não vou discutir isso aqui. Vou é propor uma forma de aumentar a produtividade dos dias que já trabalhamos. Como? Simples: suprimindo as pontes e as tolerâncias de ponto.
O que proponho é que, por um lado, se acabe com os feriados (e aí sou mais radical do que o JPP, só ficariam os supracitados.). Mas por outro se aumente o tempo de férias de 22 para 30 dias úteis, podendo - quem o entenda - celebrar os eventos que lhe dizem mais, usando alguns desses 8 dias extra . No fundo o número de dias úteis mantem-se inalterado. As pontes é que deixam de existir porque simplesmente uma das "margens" desapareceu. Quem fizer uma "margem artificial" ( leia-se : feriado) e quiser fazer essa ponte, gasta um dia de férias.
2003/11/04
Nada com ir para um cinema sem expectativas.
Levou-me o acaso ( leia-se: o confundir dos horarios...) perder o Dogville - que ficará para breve - e entrar no Estranhos de passagem . Não posso dizer que fosse uma escolha aleatória. Este filme já estava em lista de espera, quanto mais não seja pelos nomes Stephen Frears e Audrey Tautou. Mas ia sem a "leitura" em dia, a unica coisa que tinha lido era que o filme apoiava-se muito na atriz que por sua vez não estava ao nível de Amélie Poulain.
WRONG. Até ontem podia dizer que nunca tinha estado em Londres. Ontem percorri varias ruas, estive no Hotel Baltic, estive num mercado de fruta,....
E mais não digo para não estragar as VOSSAS expectativas...
Levou-me o acaso ( leia-se: o confundir dos horarios...) perder o Dogville - que ficará para breve - e entrar no Estranhos de passagem . Não posso dizer que fosse uma escolha aleatória. Este filme já estava em lista de espera, quanto mais não seja pelos nomes Stephen Frears e Audrey Tautou. Mas ia sem a "leitura" em dia, a unica coisa que tinha lido era que o filme apoiava-se muito na atriz que por sua vez não estava ao nível de Amélie Poulain.
WRONG. Até ontem podia dizer que nunca tinha estado em Londres. Ontem percorri varias ruas, estive no Hotel Baltic, estive num mercado de fruta,....
E mais não digo para não estragar as VOSSAS expectativas...
2003/11/01
Hoje é "dias dos fieis" ou, como dizia em criança, dia dos mortos.
Alguém já questionou a real função de um cemitério? Há uma óbvia: é o local onde se "planta" os cadáveres dos familiares até os mesmos estarem em estado de colocar numa pequena urna. Mas, se essa seria a função fundamental, como se explica os jazigos que mais parecem mini-catedrais, campas ultra concebidas, e -sobretudo hoje - resmas de flores, ramos, coroas exuberantes, caríssimas? Acreditam mesmo que estão a demonstrar ao "morto" o quanto ainda gostam dele? Devem estar a brincar comigo... (leiam o post anterior e perceberão a inclusão desta expressão)
Já agora, devem achar que esse ser (ainda) querido está ali mesmo a ver-nos... Mas respondam-me: está só ali? Não se pode afastar nem um bocadinho, por exemplo, ao sofá que tantas vezes partilhamos, ao café onde íamos juntos, à praia, ao parque da Cidade? Se nos lembrarmos - com saudade - dele nesses sítios, ele não nos verá ? Não conseguirá aperceber-se que continua na nossa cabeça e no nosso coração? Acham mesmo?
[ Engraçado. Eu costumo pensar que , à semelhança do Obélix, apanhei um banho de religiosidade na infância que determina a minha maneira de ser, apesar de no Censos 2001 me ter declarado "não praticante" ( whatever that means...). Se bem me lembro as almas, no conceito católico, é livre, vai para o Céu ou para o Inferno mas daí tem uma vista igual para qualquer parte do Globo...]
O que me parece óbvio é que aquele não é um local de comunicação com o "ausente" mas com os presentes, seres que frequentam aquele mesmo local mas que não nos dizem nada (na melhor das hipóteses são nossos vizinhos). Há uma necessidade - da grandeza do dinheiro gasto - de mostrar aos outros o quanto apreciamos aquele que ali jaz, de demonstrar, a quem não interessa, que somos capazes de nos dar pelos outros.
BENVINDO AO MUNDO DAS APARÊNCIAS !!
(nota: não estou a dizer que quem o faz não queira saber do "morto". Estou apenas a dizer que não o têm que demonstrar a ninguém.)
Alguém já questionou a real função de um cemitério? Há uma óbvia: é o local onde se "planta" os cadáveres dos familiares até os mesmos estarem em estado de colocar numa pequena urna. Mas, se essa seria a função fundamental, como se explica os jazigos que mais parecem mini-catedrais, campas ultra concebidas, e -sobretudo hoje - resmas de flores, ramos, coroas exuberantes, caríssimas? Acreditam mesmo que estão a demonstrar ao "morto" o quanto ainda gostam dele? Devem estar a brincar comigo... (leiam o post anterior e perceberão a inclusão desta expressão)
Já agora, devem achar que esse ser (ainda) querido está ali mesmo a ver-nos... Mas respondam-me: está só ali? Não se pode afastar nem um bocadinho, por exemplo, ao sofá que tantas vezes partilhamos, ao café onde íamos juntos, à praia, ao parque da Cidade? Se nos lembrarmos - com saudade - dele nesses sítios, ele não nos verá ? Não conseguirá aperceber-se que continua na nossa cabeça e no nosso coração? Acham mesmo?
[ Engraçado. Eu costumo pensar que , à semelhança do Obélix, apanhei um banho de religiosidade na infância que determina a minha maneira de ser, apesar de no Censos 2001 me ter declarado "não praticante" ( whatever that means...). Se bem me lembro as almas, no conceito católico, é livre, vai para o Céu ou para o Inferno mas daí tem uma vista igual para qualquer parte do Globo...]
O que me parece óbvio é que aquele não é um local de comunicação com o "ausente" mas com os presentes, seres que frequentam aquele mesmo local mas que não nos dizem nada (na melhor das hipóteses são nossos vizinhos). Há uma necessidade - da grandeza do dinheiro gasto - de mostrar aos outros o quanto apreciamos aquele que ali jaz, de demonstrar, a quem não interessa, que somos capazes de nos dar pelos outros.
BENVINDO AO MUNDO DAS APARÊNCIAS !!
(nota: não estou a dizer que quem o faz não queira saber do "morto". Estou apenas a dizer que não o têm que demonstrar a ninguém.)