2006/06/30

Algo estranho me aconteceu na semana que agora finda (às tantas nestes quase 3 anos de blogosfera já me aconteceu e nem dei por ela...).
Recebi um comentário de um blogger que desconheço. Até aqui tudo bem. Vou ao blog dele, por cortesia, visito os comentários de um post dele e... tinha um que alguém tinha assinado com um link para aqui!
Com ajuda do referido blogger, e deste site consegui descubrir que se trata de um/a lisboeta, assinante da Cabovisão.
Continuo sem perceber é quem é e porquê inseriu o meu link no seu comentário...
2006/06/20
Pensamento do dia:
"A felicidade está
onde cada um a põe."
in Danone - Puro Aroma - Frutos Silvestres
"A felicidade está
onde cada um a põe."
in Danone - Puro Aroma - Frutos Silvestres
"Clube da página 31" - Volume XIV
"Tentando não a despertar, sentei-me nu na cama com a vista já habituada aos enganos da luz vermelha, e analisei-a palmo a palmo. Fiz deslizar a ponta do indicador ao longo da sua nuca ensopada e toda ela estremeceu por dentro como um acorde de harpa, voltou-se para mim com um resmungo e envolveu-me no clima do seu hálito ácido. Apertei-lhe o nariz com o polegar e o indicador e ela sacudiu-se, afastou a cabeça e virou-me as costas sem acordar. Tratei de lhe separar as pernas com o meu joelho por uma tentação imprevista. Nas duas primeiras tentativas opôs-se com as coxas tensas. Cantei-lhe ao ouvido: A cama de Delgadina está rodeada de anjos. Relaxou-se um pouco. Uma corrente quente subiu-me pelas veias e o meu lento animal reformado despertou do seu longo sono."
in "Memórias das minhas putas tristes" - Gabriel García Marquez
"Tentando não a despertar, sentei-me nu na cama com a vista já habituada aos enganos da luz vermelha, e analisei-a palmo a palmo. Fiz deslizar a ponta do indicador ao longo da sua nuca ensopada e toda ela estremeceu por dentro como um acorde de harpa, voltou-se para mim com um resmungo e envolveu-me no clima do seu hálito ácido. Apertei-lhe o nariz com o polegar e o indicador e ela sacudiu-se, afastou a cabeça e virou-me as costas sem acordar. Tratei de lhe separar as pernas com o meu joelho por uma tentação imprevista. Nas duas primeiras tentativas opôs-se com as coxas tensas. Cantei-lhe ao ouvido: A cama de Delgadina está rodeada de anjos. Relaxou-se um pouco. Uma corrente quente subiu-me pelas veias e o meu lento animal reformado despertou do seu longo sono."
in "Memórias das minhas putas tristes" - Gabriel García Marquez
2006/06/12

Vi este cartaz de relance há dias, numa televisão qualquer, nem retive em que canal.
Fiquei chocado, imaginei logo ser uma lei deste "fantástico" Governo dos Estados Unidos que já estaria em implementação e comecei inclusivé a divagar sobre formas de retaliação, com cartazes do tipo: "dear Americans, we understand you, but, bad luck, you're in Portugal, you order in portuguese or starve".
Oh, afinal é apenas um restantezeco qualquer em Filadélfia, de um idiota qualquer que já se deve ter esquecido que os pais dele ou os avós, quando passaram frente à Estátua da Liberdade, não deviam saber um carago de inglês...
2006/06/05
2006/06/01
Quando era pequenino, e a politica era tema tabu lá em casa (vestigios do Estado Novo...), fui tendo que conceber autodidaticamente conceitos como Estado, Capitalismo Popular, Impostos, Função Pública, Sector Público, Segurança Social, Pensões de Reforma, Solidariedade Social, essas coisas ligeiras(para vos situar, fiz a Escola Primária no final dos anos 70).
-Lembro-me de achar boa ideia o Estado ser detentor de tantas empresas pois assim os lucros ajudavam a pagar o Orçamento do Estado e assim podia ser reduzida a taxa de imposto.
- Lembro-me que toda a gente se queixava que os ricos eram os capitalistas das empresas, e quando percebi que as empresas nao tinham que ter só um dono, mas no limite tantos quanto o numero de acções emitidas, que as pessoas podiam assim aplicar as suas poupanças nas empresas e poder assim, ser micro-capitalistas.
- Lembro-me de achar que as pensoes de reforma eram como as minhas promissórias, que os meus pais incentivavam a ter: que o valor a receber era função directa do dinheiro que se ia descontando ao longo da vida de trabalho.
Eu sei, tudo piadas de ingenuidade infantil que, se eu fosse 20 anos mais novo, estariam a ser difundidas naqueles e-mails que volta-e-meia recebemos.
Não sabia na altura que muitas empresas do Sector Público davam prejuizos escandalosos, eram elas proprias sorvedoras dos impostos de todos nós.
Não sabia que isto de ser capitalista tanto pode dar muito dinheiro como poder dar um prejuizo desanimador, e é precisamente o factor "risco" que o lucro premeia
Não sabia de todo como funcionava a Segurança Social e este assunto que me traz aqui hoje.
Eu gosto de pensar que sou uma pessoa generosa. Gosto de apoiar causas para o bem comum, dou sem problema dinheiro a quem se veja necessitado, tento apenas fugir ao charlatanismo. Acredito na Solidariedade Social, uma necessidade para colmatar os efeitos perversos do Capitalismo puro. Mas gosto de saber quando e quanto estou a dar. Faz-me imensa confusão os calculos "à merceeiro" que a Segurança Social anda a fazer desde há anos. Não se olha de onde vem o dinheiro que generosamente se distribui. Definem-se administrativamente valores das pensões sem "olhar para trás" para o passado contributivo do cidadão, mas pela simples e Magna justeza das mesmas.
Acho, logo à priori, um erro juntar numa mesma entidade reformas e solidariedade social. Uma coisa é a nossa rica reforminha, o corolário de anos a fio a trabalhar, a dar no duro. Outra é o nosso contributo para o bem da sociedade, para ajudar os desfavorecidos, por um eventual desemprego, por doença incapacitante, por uma reforma que nao chega a uns minimos de sobrevivência. O bem colectivo presente, do corrente ano, entre as pessoas que hoje precisam e as que hoje podem contribuir. Não o bem colectivo presente financiado por eventuais "benfeitores" futuros, que projectamos mas que não temos a certeza que venham existir e pelo andar-da-carruagem só existirão se abraçarmos esta nova corrente de país acolhedor de imigração de preferencia legalizada e (bem) colectada.
Gosto da ideia de que vou poder mais tarde usufruir do quinhão de salário que "temporariamente" nos é usurpado mensalmente. Gosto da ideia de que o Estado (sou favorável à privatização, pelo menos parcial deste sector, mas já nem ia por aí) está a juntar o meu rico dinheirinho para depois mo devolver quando eu precisar dele. E gosto da ideia que esse dinheirinho podia estar a ser inteligentemente usado para financiar projectos de investimento válidos que aumentassem a nossa riqueza nacional. (hey, afinal não é preciso gostar de futebol para me sentir patriótico...)
Não vos parece lógica esta minha ideia?
-Lembro-me de achar boa ideia o Estado ser detentor de tantas empresas pois assim os lucros ajudavam a pagar o Orçamento do Estado e assim podia ser reduzida a taxa de imposto.
- Lembro-me que toda a gente se queixava que os ricos eram os capitalistas das empresas, e quando percebi que as empresas nao tinham que ter só um dono, mas no limite tantos quanto o numero de acções emitidas, que as pessoas podiam assim aplicar as suas poupanças nas empresas e poder assim, ser micro-capitalistas.
- Lembro-me de achar que as pensoes de reforma eram como as minhas promissórias, que os meus pais incentivavam a ter: que o valor a receber era função directa do dinheiro que se ia descontando ao longo da vida de trabalho.
Eu sei, tudo piadas de ingenuidade infantil que, se eu fosse 20 anos mais novo, estariam a ser difundidas naqueles e-mails que volta-e-meia recebemos.
Não sabia na altura que muitas empresas do Sector Público davam prejuizos escandalosos, eram elas proprias sorvedoras dos impostos de todos nós.
Não sabia que isto de ser capitalista tanto pode dar muito dinheiro como poder dar um prejuizo desanimador, e é precisamente o factor "risco" que o lucro premeia
Não sabia de todo como funcionava a Segurança Social e este assunto que me traz aqui hoje.
Eu gosto de pensar que sou uma pessoa generosa. Gosto de apoiar causas para o bem comum, dou sem problema dinheiro a quem se veja necessitado, tento apenas fugir ao charlatanismo. Acredito na Solidariedade Social, uma necessidade para colmatar os efeitos perversos do Capitalismo puro. Mas gosto de saber quando e quanto estou a dar. Faz-me imensa confusão os calculos "à merceeiro" que a Segurança Social anda a fazer desde há anos. Não se olha de onde vem o dinheiro que generosamente se distribui. Definem-se administrativamente valores das pensões sem "olhar para trás" para o passado contributivo do cidadão, mas pela simples e Magna justeza das mesmas.
Acho, logo à priori, um erro juntar numa mesma entidade reformas e solidariedade social. Uma coisa é a nossa rica reforminha, o corolário de anos a fio a trabalhar, a dar no duro. Outra é o nosso contributo para o bem da sociedade, para ajudar os desfavorecidos, por um eventual desemprego, por doença incapacitante, por uma reforma que nao chega a uns minimos de sobrevivência. O bem colectivo presente, do corrente ano, entre as pessoas que hoje precisam e as que hoje podem contribuir. Não o bem colectivo presente financiado por eventuais "benfeitores" futuros, que projectamos mas que não temos a certeza que venham existir e pelo andar-da-carruagem só existirão se abraçarmos esta nova corrente de país acolhedor de imigração de preferencia legalizada e (bem) colectada.
Gosto da ideia de que vou poder mais tarde usufruir do quinhão de salário que "temporariamente" nos é usurpado mensalmente. Gosto da ideia de que o Estado (sou favorável à privatização, pelo menos parcial deste sector, mas já nem ia por aí) está a juntar o meu rico dinheirinho para depois mo devolver quando eu precisar dele. E gosto da ideia que esse dinheirinho podia estar a ser inteligentemente usado para financiar projectos de investimento válidos que aumentassem a nossa riqueza nacional. (hey, afinal não é preciso gostar de futebol para me sentir patriótico...)
Não vos parece lógica esta minha ideia?